MONUMENTO “A CHEGADA”

Document

Ano de
Inauguração:

27 de abril de 2000

Escultor:

Daniel Leandro Gonzalez

Estudos de
Concepção:

Daniel Leandro Gonzalez (filósofo e artista plástico) e Serafim Gonzalez (ator e artista plástico)

Ano de
Inauguração:

27 de abril de 2000

RELATOS DO PRÓPRIO AUTOR ESCRITO NO ANO DE CONCEPÇÃO DA OBRA

RELATOS DO PRÓPRIO AUTOR ESCRITO NO ANO DE CONCEPÇÃO DA OBRA

A “Chegada”, obra do escultor Daniel Leandro Gonzalez, é um conjunto escultórico composto de quarenta figuras humanas em escala heróica (uma vez e meia maior que o tamanho natural de uma pessoa) que “brotam” de uma caravela estilizada. A obra possui sete metros de altura e foi fundida em fibra de vidro laqueada. A escultura foi concebida a partir do poema “Mar Português” de Fernando Pessoa. 

Assim como o poema, o conjunto escultórico trata do custo existencial da descoberta. É uma obra trágica que marca a data dos quinhentos anos, fazendo desta um ponto de partida para a reflexão. É um trabalho conceitual que faz referência aos escultores renascentistas que trabalhavam filosoficamente com o corpo humano, como também, é influenciada pela famosa obra “O Portal do Inferno” de Auguste Rodin. O escultor, com formação filosófica, que foi professor em várias universidades em Santos, traz em seu processo de criação influências de Nietzsche, Heidegger e Jung. Traz de Nietzsche a visão do pensamento como um ato de coragem e, de Heidegger, a visão do pensar como um “rastrear” que busca, através de vestígios, a manifestação do ser. A teoria Junguiana, aparece aqui, como a postura criativa onde o artista se dispõe a ser o “canal” que, estimulado pelos vestígios, deixa fluir o conteúdo arquetípico. A obra tem como resultado principal a atração que promove a dúvida. Primeiro as pessoas são atraídas pela estética – naturalista e estilizada ao mesmo tempo – e, logo a seguir, perguntam: “Qual o significado disto?” A resposta está em cada um e as pistas estão espalhadas por todo o conjunto escultórico. O objetivo do trabalho é este mesmo, instigar o pensamento, dar conta da dramaticidade histórica da nossa existência. Assim como os trabalhos de Magritte, é impossível olhá-la sem que apareçam os pontos de interrogação. 

CONCEPÇÃO: Daniel e Serafim, filho e pai, uniram-se em pensamento para discutir a fase inicial da concepção da maquete de estudos que daria origem a obra final. Daniel deu vida com seus pensamentos filosóficos e Serafim o ajudou na fase inicial da criação das formas, parte mais artesanal.

Esta é a obra mais importa da minha vida e transbordou-se em escultura. Viver e esculpir sempre se confundiram em mim, mas, a partir desta obra, passei a sentir algo que é maior que a vida… entrei num mundo de onde não quero mais sair… estou para sempre na “casa” do tridimensional.

Daniel Leandro Gonzalez

CURIOSIDADE SOBRE AS PEÇAS QUE COMPÕEM A OBRA:

Caravela central: Custo existencial da vida dos Portugueses no período das grandes navegações, expandindo os limites através do mar, indo em busca de novas terras; 

A Cruz ao centro: A mulher e o homem que formam uma cruz que representa os dois princípios da geração da vida: o masculino e o feminino, e a cruz é um símbolo comum do amor máximo de Jesus pela Humanidade, que representou um sacrifício vivo, assim como os homens que saiam ao mar sacrificando suas vidas sem saber se iriam voltar para suas famílias; 

Mulher à frente da Caravela: As mulheres na linha de frente também eram sacrificadas ficando em seus lares sozinhas com seus filhos e, ao mesmo tempo, sempre tinham as premonições de acontecimentos futuros; 

Mulher em cima da Caravela: Representa o ventre do sagrado feminino, a que está no comando da geração da vida;

Os corpos de adultos e crianças: Quarentas corpos de homens, mulheres e crianças representando as várias fases da construção deste país por parte de todos os nossos ancestrais, índios, brancos e negros que sem julgamentos, faz alusão a um período que bom ou ruim fez parte da História da humanidade e da colonização do Brasil; 

Os índios: Em ambos os lados da Caravela, representam os povos originários que aqui habitavam quando os portugueses chegaram a estas terras;

Pedro Alvares Cabral: O “descobridor” e grande e aventureiro, conforme relatado pelos historiadores Contemporâneos;

Martim Afonso de Souza: O “Colonizador” conforme relatado pelos historiadores Contemporâneos;

A menina com o livro: O escultor inspirou-se em sua filha Camila Mello Gonzalez, para retratar a menina;

O Menino com o Barquinho: O escultor inspirou-se em seu afilhado Vitor;

As duas figuras ao fundo do descobridor e do colonizador, ambos olhando para frente, representam o passado olhando para as duas crianças à frente que representam o futuro. 

Ambos os autores valorizavam muito a leitura e o brincar, que são atividades importantíssimas para o desenvolvimento cognitivo do ser humano, por isto a menina segurando o livro e o menino brincando com barquinho de papel.

 A obra tem as fases de estudo de concepção, preparação do ateliê, escrito da idealização, primeiro molde em escala menor, apresentação ao encomendador, aprovação, início da execução com a criação, a fase de esculpir as formas em argila e moldar em forma de gesso. Toda a execução levou nove meses e ficou pronta 3 dias antes da inauguração do Praiamar Shopping. O escultor Daniel contou com a ajuda de seu pai Serafim para a fase das formas que, logo após, teve que se ausentar por conta das gravações da novela Chiquititas.

Depois veio a aplicação da resina de vidro e a fase de pintura, que é o mesmo processo de pintura automotiva. Neste período, os pedreiros Tonho e Gilson foram pessoas de extrema importância na ajuda ao artista, tanto que se tornaram amigos da família. Daniel tinha muito apreço por eles pois, em suas simplicidades, não tinham ideia do que estavam fazendo naquele quebra cabeça de partes humanas.

Cada parte da obra teve que ser feita e transportada peça por peça, e a montagem final se deu no próprio Shopping, sendo finalizada com verniz automotivo.  

Em relato do próprio Daniel, ao concluir a montagem da obra, os auxiliares choraram ao ver a grandiosidade e a beleza do que eles haviam feito depois de um longo e exaustivo período de experiência num trabalho que saia do seu lugar comum, pois não era a construção de uma casa.

Atrás da obra na caravela, Daniel escreveu de próprio punho: Valeu a pena? “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” … (trecho do poema de Fernando Pessoa)

Os homens aqui envolvidos nesta narrativa, com certeza foram homens de grande alma. E como já relatado pelo artista, ele espera que você também consiga, em sua grandeza, sentir e vibrar nas mais diversas emoções humanas ao contemplar esta grandiosa ARTE!

Transcrição: Vanessa Rajomes 
 Jornalista Cultural MTB. 0087683/SP

Praiamar Shopping
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